
Eu não estava sozinho, não naquela vez. Na verdade, eu só não tinha ninguém, mas havia muitas pessoas andando naquele mesmo corredor ou túnel, nunca soube o que era aquilo. Enfim, não tinha como se sentir sozinho ali. Carros passavam, buzinas eram apertadas sem dó, aquele barulho de trânsito quase, senão totalmente, insuportável. Ali, tudo se repetia, cada grito, cada freada. Por pouco, não se ouvia o pensamento das pessoas. O eco terrível da cidade grande. Entre tantos barulhos que se repetiam da forma mais assustadora possível, minha vontade era de gritar para que o nosso amor durasse pra sempre, só pra ter o prazer de ouvir aquilo se repetindo. Sempre, sempre, sempre… Mas não quis jogar isso fora, não quis fazer do meu grito, mais um dentre tantos que, diga-se de passagem, são péssimos de serem ouvidos. Mas eu desejo, eu grito, eu espero, eu acredito, eu até buzino se isso for fazer nosso amor durar pra sempre, sempre e sempre.
Nenhum comentário:
Postar um comentário